16 de março de 2010

é ruim mas depois fica pior

Nao sei, as vezes nao entendo meus proprios sentimentos. São tantos, tao intensos, tao diferentes, que ao mesmo tempo q sinto raiva, sinto medo, alegria e esperança.
Meus pensamentos voam, e numa velocidade que nem eu mesma consigo acompanhar, acho que por isso que as vezes nao consigo reagir ao que se passa na minha vida.

Mais uma vez fui acometida por uma fase ruim da minha doença, mais uma vez fiquei triste por me sentir uma pessoa que tem limitação em seus movimentos. senti tanta dor que nao pude aproveitar uma balada na sabado e sai dela mais cedo, e levei minhas amigas comigo, o que me deixou ainda mais triste, porque eu atrapalhei a balada delas.

Fiquei o final de semana inteiro imersa na minha cama, dormindo, sem vontade de nada, nem de ver o namorado, que tb ja esta me enchendo os pacová. Passei a madrugada de domingo pra segunda assistindo filmes idiotas na teve e tentando achar algum filme sobre repressao ou escravidao para fazer meu trabalho de final de semestre.
Achei muitos filmes interessantes e ja deixei no torrent pra baixar, mas nao achei quase nada sobre o que eu queria.

Segunda eu tb nao fiz nada, fiquei imersa novamente no meu quarto, nao li nenhum texto, nenhum livro, nenhum titulo relacionado com o MEC, nao pintei, nao limpei nada.
Minha mae chegou mais cedo e parece que ela nao esta bem de saude tb. Ela nunca esta bem, mas segura bem firme a barra, quando ela vem pra casa significa que ela ta mal pa caralho. Parece que o rim dela nao ta colaborando. E hoje ela diz estar pior.

Chegaram aqui em casa mais tarde, depois de virem do grupo de oração, mas chegaram com uma cara que dava tanto desgosto que eu acharia melhor que nao orassem mais, porque eu acho que nao ta fazendo bem, depois descobri que foi por causa do vicio do meu pai que o ambiente estava pesado. Tentei conversar como sempre com ele, tentado mostrar como isso magoa, machuca e adoece a familia que ele tem, mas eu sei que ele nao tem sentimentos que possam ser afetados pelas palavras que eu digo, ja fui muito mais profunda que hoje e mesmo assim nao o fez mudar de ideia.

Eu sou fraca pra bebida, herdei isso dele, só que eu tenho essa noçao, e ao menos que eu esteja consciente que se eu beber mais que duas latas de cerveja ou uma dose de caipirinha eu vou ficar desorientada, eu nao bebo. Porque vou dirigir, pq outros precisam de mim, porque nao quero acordar mal no dia seguinte... sao tantos os motivos e nenhum diz respeito a minha familia, mas eu ainda tenho motivos para nao beber. Agora, eu nao conheço todos os motivos que meu pai tem para beber.

Quando chegaram fui besta de dizer que passei mal o dia todo, e que por isso nao fui nem na aula, fiquei o dia todo aqui no micro e na cama, com um estado febril que tenho certeza nao ser de gripe.

Enfim, quando chegaram, eu fiquei mais agoniada do que ja estava, meu peito apertou mais e eu tive vontade de ter um surto histerico, acho que por dentro eu tive, mas me segurei. Nao aguento mais ouvir minha mae  falar que eu tenho que procurar outros tratamentos só porque minha dor no joelho voltou e porque ele inchou de novo, é uma doença certo? Uma doença que nao tem cura e sim controle, certo? Entao porque eu devo procurar outro tratamento se a dor vai e volta? Cansada de ouvir as mesmas coisas e mesmo tendo respaldo medico nao ser ouvida.

A unica coisa que ouço é: procure um novo tratamento e se cure porque eu nao estarei aqui pra sempre e vc nao podera depender de mim depois que eu morrer.

Quantas vezes ja respondi a essa frase que mesmo que eu fosse uma pessoa sadia, nao teria ninguem que eu pudesse depender se eles morrerem... nem sei senha de banco, nem sei qual é o patrimonio da minha familia, nao tenho nada no meu nome. daria no mesmo bem ou mal de saude quando eles se forem.

Hj passei na autoescola, marquei uma ultima aula pra treinar balisa e espero ansiosa dia 22 poder passar na prova pratica sem fazer nenhuma rodobaquice....

Cheia de ser fardo, cheia de viver, cheia de nao ter sentido na vida, cheia de ter que sentir dor.

Um comentário:

Vívian M. disse...

É Cassia, é quando as coisas estão ruim que percebemos o quão forte somos. Você não carrega nada além daquilo que suporta. Você já enfrentou muita coisa, está enfrentando e ainda enfrentará tantas outras! Você é forte, tem cabeça boa. Mas entendo que em alguns momentos é normal ficarmos a ponto de explodir e abandonar o barco e é então quando somos novamente surpreendidos, com nossas forças e com um dia atrás o outro. E quanto ao vício do seu pai, eu entendo, entendo muito bem porque o meu também bebe E FUMA!Não é fácil assistirmos isso de camarote, o que nos resta é pedir que a força maior os ajude. Porque pior que a dor física é a dor da alma.
Fique bem, quando quiser conversar pode contar comigo, não sou boa em ajudar as pessoas, mas tento fazer o meu melhor e sei ser uma boa ouvinte. E quando não quiser conversar nada sério, também pode contar comigo.
Uma boa quarta-feira.