Essa semana foi incrivelmente cheia de surpresas. Diria que chatas e interessantes. Apesar de desagradável, foi mais ou menos o que eu previa, claro que algumas coisas foram causadas por minha dificuldade em escolher as opções, mas outras ocorreram muito mais intensas do que eu pedi.
No inicio dessa semana estava muito pra baixo. Extremamente sonolenta. Quando falei com minha colega de facul M. que me incentivou em tentar pela ultima vez me formar e fazer a monografia. Encontrei algo que me agradaria, e mandei um email para um professor que tem a ver com o tema. Infelizmente, um dia antes da alteração de matricula, recebi o email do professor me dizendo que sua agenda estava cheia. Fazendo com que eu retornasse com minhas idéias de alterar a matricula e ao invés de fazer uma disciplina, fazer três.
Quinta-feira foi foda. Eu estava esperando a mais de um mês esse momento mas quando eu cheguei eu cai do salto (e olha que nem mais uso salto). Passei pela pericia da CIRETRAN e fui considerada uma “motorista especial”, pra quem não sabe, esse titulo não é pra quem é um excelente motorista, mas sim uma pessoa que possui alguma limitação e que portanto precisa de adaptações no carro. No meu caso tenho a minha doencinha auto imune a AR, que prejudicou meu modo de vida completamente, quando resolveu atacar sem aviso prévio meu joelho. Fazendo com que este alem de doer, ficasse com seus movimentos limitados.
Só que alem disso, eu adquiri uma inflamação no braço e mão esquerda, e foi isso que eu não esperava. Quando pensei que sairia de lá apenas com uma notificação de que eu precisaria de um carro hidramático (adaptaria o meu carro e não mais precisaria pisar na embreagem pra trocar a marcha, mas ainda o cambio seria manual), o medico perito pediu pra que eu fizesse um teste de força nas mãos. Enquanto a direita conseguiu mostrar uma força de 32 kilos a outra infeliz só tinha DOIS kilos. E ai veio a bomba... já que eu não tenho força na mão esquerda, num momento em que eu esteja fazendo uma curva e ao mesmo tempo mudando uma marcha, posso não ter força suficiente no braço e na mão esquerda pra completar a mesma, causando assim um acidente.
Neste caso teria que adquirir um carro atumatico. Já que não tem como adaptar num carro com cambio mecanino ser trocado por um automático. Ai realmente veio a minha decepção. Eu tinha certeza absoluta que o carro que eu estava dirigindo e pretendia continuar dirigindo por muitos anos, serveria para as adaptações, ainda estou pagando prestações de troca de pneu, suspensão, e não faz duas semanas que eu coloquei vidro e trava elétrica.
Se soubesse que seria dessa forma, é obvio que não teria feito nada disso, principalmente a ultima mudança. Que eu fiz também por causa da falta de mobilidade da minha mão.
Cheguei em casa arrasada, com a carta antiga em mãos e bloqueada, e com a necessidade de realizar a burocracia de aulas e prova pratica, mas o pior.... pensar em como arrumar dinheiro pra comprar um carro com cambio automático. Já que nessa merda de país ainda não se popularizou essa tecnologia... Os carros mais baratos que eu conhecia ate então eram sedan e enormes, o mais simples que conhecia era um Chevrolet meriva. Claro que tinha outras marcas como Honda e as marcas francesas que possuem carros menores e automáticos, mas imagina a manutenção destes.
Ai imaginei o que minha família diria, e me senti um fardo. Em dez anos de existência digamos adulta, eu não produzi nada de benéfico pras pessoas que sempre me ajudaram, desde 2001 estou voltada aos estudos e tentando terminar uma facul que provavelmente somente ocorrera esse ano, nesse meio tempo tive um emprego, mas tinha que pagar a facul então o dinheiro não rendia nada, ou seja, sou um gasto a mais. Agora do jeito que estou é difícil me manter num emprego qq, devido as idas e vindas da dor. A qual não posso considerar como deficiência, mas sim uma doença que acarreta necessidades especiais. Jamais o INSS me consideraria deficiente e com isso eu não poderia participar dos cinco por cento de vagas de um empresa destinadas a esse pessoal.
Fiquei com muita raiva de mim mesmo, deveria ter ficado no meu canto sofrendo e deixar de lado essa coisa de alteração de carteira. Fui infeliz na minha escolha. Eu queria usar dois carros do final da década de noventa que temos aqui para comprar um carro mais novo para meu pai. Agora vou ter que usar um deles e o carro mais novo, que ainda tem prestações a pagar de serviços realizados, pra conseguir dar entrada num carro automático. Muito burra você.
Depois percebi que realmente o que o perito afirmou ocorreria mais cedo ou mais tarde, e talvez por eu forçar direto esse pulso no volante é que ele se mantém inflamado. Me lembrei de uma alteração brusca de faixa que tive que fazer e que se não fosse pela mão direita eu teria batido numa mureta. Ou seja, talvez isso veio para melhorar.
Passada a raiva, sexta, saindo do curso de Frances, passei em uma concessionária aqui perto de casa e resolvi conversar. Apesar da loja ser da GM, o consultor pode me oferecer carros de qq marca... Chevrolet só tem carro grande, mas a volks lançou esse ano gol e Fox com cambio automatizado (que tem a mesma funcionalidade que o automático, mas que tecnologicamente é inferior) alem do que descobri ontem a noite, a Fiat lançou também o Palio com o mesmo sistema. Cada um o chama como quer, mas me deixou mais contente, pois com os descontos que recebo devido a PNE que eu tenho vendendo os dois carros e raspando minha poupança eu consigo pagar o carro em questão.
Eu somente não gostaria de fazer isso mas terei que fazer. Pior ainda que pra tirar a carta especial terei que pagar 300 reais pra ter apenas duas aulas praticas e para a auto-escola me emprestar o carro pra fazer a prova pratica. Lindo!!! Absurdo!!!
A noticia boa é que enquanto eu não comprar nenhum carro com as adaptações eu não preciso mostrar o carro que estou dirigindo, ou seja, da pra usar meu carro fofo por mais um tempo e comprar conscientemente o carro e não desesperadamente.
É isso, vc quer consertar uma coisa e ferra em outra, sinto em só decepcionar meus pais. E meu pai ainda insiste que eu não vou tirar o dinheiro da minha poupança. Acho que é o mínimo que posso fazer