9 de março de 2010

Banalizaçao do oito de março.

> Ontem, dia internacional das mulheres. Ao invés de agir como a
> maioria, não peno que seja um dia para comemorar. É um dia para
> reflexão, para relembrar toda uma trajetória de luta por melhores
> condições de vida e trabalho.
>
> Não podemos esquecer que no inicio do seculo XX foi o dia oito de
> março considerado data para ser lembrada devido ao acontecimento em
> meados do seculo XIX, uma greve feita por mulheres empregadas numa
> fabrica têxtil, reivindicando redução de carga horaria, de 16 para 10
> horas. A greve terminou no assassinato das grevistas, presas num
> galpão ao qual foi ateado fogo
>
> Desse modo, o dia oito de março é uma data que deve ser lembrada com
> tristeza. Pois 160 anos depois do ocorrido nossos direitos ainda são
> suprimidos. Ainda sofremos violências e humilhações, ainda temos que
> abdicar de nossa formação para entrar no mercado de trabalho cedo,
> normalmente trabalhos desqualificados e com baixa remuneração não lhe
> dando a possibilidade de desenvolver suas habilidades. Quantas
> mulheres se pudessem escolher, teriam deixado de lado a maternidade
> juvenil para dedicar-se a outras atividades do que a de ser mãe.
>
> A educação aliada a conhecimentos que possam prevenir uma gravidez
> indeseja, são armas que as poucas mulheres possuem para usar a seu
> favor. Tornando-a mais dona de si, dona de seu corpo e não mera
> coadjuvante, tendo que deixar a decisão de sua trajetória para o
> destino ou para desejo divino, colocando para elas uma vida sem
> alternativas.
>
> Quantas mulheres ainda hj são humilhadas e violentadas física e
> psicologicamente por maridos, pais e irmãos. Quantos homens hj nos
> subestimam somente por sermos mulheres? Como se fossemos um ser a
> parte uma raça diferente da que o homem pertence.
>
> Não é uma questão de ser feminista ou feminina, é uma questão e ser
> mulher e não temer nada apesar dos costumes definirem que não somos
> auto-suficiente e que somos dependentes do resto do mundo. Somente nós
> podemos saber o que é melhor para nós mesmas.
>
> Por mais que particularmente tenha essa questão de auto-suficiência e
> controle do meu corpo bem clara na minha vida, ainda assim, sofro
> certos preconceitos que me incomodam, preconceitos com relação aos
> meus conhecimentos de mecânica de automóveis ou o uso de uma furadeira.
>
> Durante a minha adolescência fiz diversos cursos e normalmente era a
> única mulher na sala. E dificilmente conseguia emprego baseados nesses
> cursos pelo fato de ser mulher. Quando resolvia um problema técnico no
> meu trabalho como call center o conserto era recebido com assombro.
>
> Infelizmente, há ainda mulheres que acreditem que o mundo esta certo
> do jeito que esta,, estas que dizem isso, já estão subjugadas. Mas há
> ainda aquelas que sentem-se um ET nesse mundo, pois tem total
> capacidade de realizar qq atividade.
>
> O dia oito e março ainda é um dia ao qual deve ser marcado por
> manifestações para a libertação da mulher de todas as opressões ainda
> vivenciadas. Contudo, é com tristeza que vejo esse dia ser banalizado,
> mostrando o lado amelia e mãe da mulher ao invés de mostrar os
> problemas que enfrentamos.
>
> Hj uma marcha de mulheres passara por campinas, para lembrar as lutas
> que ainda são vivenciadas por muitas mulheres. Muito ainda tem que
> mudar para começarmos a festejar.
>
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